Algo contrariado, hoje fui empurrado para uma feira de empregos no campus. E’ um daqueles certames onde as empresas montam stands para se apresentarem e divulgarem oportunidades de emprego a recem-graduados. Esperava uma coisa mais inclinada para management e business administration mas acabei por falar com pessoas dos recursos humanos da Intel, IBM, ARM e RIM.
Eu podia ser uma pessoa muito mais informada, admito, e apesar de ja ter ouvido falar no passado em training programmes nestas grandes empresas, hoje percebi que e’ quase a regra. Varia de empresa para empresa mas e’ normalmente um estagio de 2 anos (bem) remunerado, onde o estagiario recebe treino muito especializado para a funcao que espera vir a executar. Normalmente existem muitas dezenas de vagas por ano.
E pus-me a pensar: Um jovem com alguma maturidade e que saiba cedo que profissao quer ter, manda as malvas pos-graduacoes e mete-se numa treta destas e esta garantido. E’ um casamento de conveniencia. Para o estagiario porque quer ser competitivo para conseguir um lugar nestas empresas de topo, e para a empresa porque tem um possivel funcionario com o perfil que deseja, moldado da maneira que eles pretendem.
E continuei ao encontro disto: um dia estas corporacoes deixam de confiar no treino do ensino superior para os seus quadros e abrem as suas proprias universidades privadas, moldando os estudantes com a filosofia da empresa desde cedo, fechando a torneira dos patrocinios:
“Corporations will create private universities when they perceive that university training is inadequate, too costly, unfocused and doesn’t pay off in increasing employee loyalty,”
Quando isso acontecer, como mudarao as universidades? Tornam-se em institutos de investigacao? Investigacao para quem, se as empresas decidirem brincar sozinhas? Nem todas, e’ certo. Talvez so’ as maiores. Se assumirmos que os melhores alunos querem um lugar nas maiores corporacoes, restarao os alunos menos bons para as universidades. E que acontecera’ ‘a competitividade das universidades em relacao a estas universidades “corporativas”? Sendo assim vale a pena imaginar uma carreira academica a longo prazo?